quarta-feira, 21/10/2026

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Tráfico de drogas na Penha gera mais de 40% da receita do Comando Vermelho em apenas um mês, aponta PF

A recente Operação Backbone da Polícia Federal trouxe à tona uma realidade alarmante para os moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A operação, que visa combater o monopólio…

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A recente Operação Backbone da Polícia Federal trouxe à tona uma realidade alarmante para os moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A operação, que visa combater o monopólio de internet imposto pelo Comando Vermelho, resultou na prisão de 20 pessoas, incluindo a mãe e um irmão do rapper Oruam, filho do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP.

Os moradores da região enfrentam um cenário de restrições severas quanto ao acesso à internet. A PF revelou que traficantes armados têm cortado cabos e incendiado caixas de distribuição de operadoras legítimas, forçando a população a contratar provedores que operam sob a autorização da facção criminosa. De acordo com as investigações, essas empresas pagam mensalmente uma taxa ao grupo, gerando uma receita significativa para o Comando Vermelho, que em um único mês teve mais de 40% de sua arrecadação proveniente dessas cobranças.

Um morador da comunidade, que preferiu não se identificar por questões de segurança, expressou sua indignação ao falar sobre a situação: “O sentimento que eu tenho com relação a isso tudo é de abandono. Não temos serviços básicos que toda a população deveria ter”. Essa fala reflete a angústia de muitos que se sentem desamparados diante da falta de intervenção do poder público.

Na operação, além dos familiares de Oruam, foi preso o vereador Fabio Silva (Podemos), que foi encontrado em Londrina (PR). A ação da PF envolveu o cumprimento de 23 mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão em diversos municípios, demonstrando a extensão da rede criminosa que controla o serviço de internet na região.

A PF também apontou que as empresas ligadas ao tráfico não apenas fornecem acesso à internet, mas também estão envolvidas em atividades de lavagem de dinheiro, utilizando camuflagens como produtoras de eventos e empresas de fachada para ocultar os lucros ilícitos. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será notificada para tomar medidas contra esses provedores, buscando garantir que a população tenha acesso a serviços essenciais e de qualidade.

Os impactos da operação vão além das prisões. O controle do tráfego de internet reflete uma realidade em que o crime organizado se infiltra em serviços básicos, tornando-se uma das principais fontes de receita para essas facções. A luta pela desarticulação dessa estrutura é uma prioridade para as autoridades, mas a sensação de abandono e insegurança persiste entre os moradores da Penha, que esperam por mudanças significativas em sua qualidade de vida.