terça-feira, 20/10/2026

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Investigação policial investiga irregularidades em clínica no Rio, incluindo possíveis mutilações e envolvimento de alunos em procedimentos médicos

A cidade do Rio de Janeiro está em choque diante de uma série de mortes e complicações graves relacionadas a uma clínica de cirurgias plásticas localizada na Zona Sul. A Polícia Civil iniciou uma…

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A cidade do Rio de Janeiro está em choque diante de uma série de mortes e complicações graves relacionadas a uma clínica de cirurgias plásticas localizada na Zona Sul. A Polícia Civil iniciou uma investigação após o falecimento de três mulheres, incluindo relatos alarmantes de pelo menos 24 outras pacientes que enfrentaram complicações severas após procedimentos cirúrgicos.

Isabelle, uma técnica de enfermagem de 42 anos, foi uma das vítimas, falecendo durante uma cirurgia plástica no abdômen. Sua mãe compartilhou a dor da perda, recordando as últimas palavras da filha antes de entrar na sala de cirurgia: “Mãe, já estou indo. Benção”. O que deveria ser um momento de esperança se transformou em tragédia com a morte da paciente, que sofreu várias paradas cardíacas durante o procedimento.

Outra vítima, Jéssica, de 32 anos, também não sobreviveu após complicações decorrentes de uma cirurgia realizada na mesma clínica. Ela havia retornado à unidade insatisfeita com um procedimento anterior e, incentivada a realizar uma remodelação costal — uma técnica não permitida no Brasil — acabou enfrentando consequências fatais. O marido de Jéssica descreveu a situação como um “pesadelo”, já que sua esposa foi internada por meses antes de falecer devido a uma infecção generalizada.

A investigação da polícia busca esclarecer a fundo as práticas da clínica, especialmente um convênio com instituições de ensino que possibilita a participação de alunos de pós-graduação nas cirurgias. Há indícios de que esses alunos estariam operando pacientes sem o conhecimento delas, algo que levanta sérias questões sobre a ética e a segurança nos procedimentos realizados.

Vistoria realizada pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) revelou diversas irregularidades, como a falta de estrutura adequada para a recuperação pós-anestésica e a presença de medicamentos fora do prazo de validade. Apesar das denúncias e das notificações, a clínica segue funcionando normalmente, enquanto um processo de interdição é iniciado.

As sequelas enfrentadas por outras pacientes também são motivo de preocupação. Muitas relatam deformidades, infecções e cicatrizes extensas. Adriane, uma professora que passou por uma cirurgia abdominal, disse que se sente deformada e que não consegue mais se olhar no espelho. “Eu poderia estar na estatística. Eu sobrevivi”, desabafou.

A proprietária da clínica, Celita Toledo, reconheceu as mortes, mas negou que estudantes tenham realizado operações. Ela alega que todos os procedimentos são feitos por médicos registrados e supervisionados. Enquanto isso, as famílias das vítimas e outras pacientes exigem medidas para que novas tragédias não ocorram novamente. “Foram cobaias. Todas elas foram cobaias”, resumiu uma das denunciantes, expressando a indignação que permeia a comunidade.