Nos últimos dias, o TikTok tem se tornado um palco inquietante para a ostentação do crime, especialmente entre jovens do Rio de Janeiro. Perfis na plataforma estão utilizando suas contas para promover organizações criminosas, desafiando abertamente as autoridades. O que antes era visto como um meio de entretenimento agora se transforma em um canal para glorificar a vida criminosa.
Um exemplo alarmante ocorreu no último sábado (31), quando uma transmissão ao vivo feita por um usuário que se identificou como membro da facção Terceiro Comando atraiu quase 12 mil espectadores. Durante a live, ele exibiu um fuzil e fez ameaças explícitas a rivais do Comando Vermelho, incitando seus seguidores a se unirem à facção. “Aqui é Terceiro Comando. Quem é do Terceiro vem com a gente!”, proclamou o jovem, em um tom provocativo.
Em outra conta, um jovem do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, exalta o crime e mostra carros e motos de luxo, sempre fazendo referências ao Comando Vermelho. Em uma de suas postagens, ele aparece vestindo uma camisa com a frase “Tropa do Rabicó”, em alusão ao traficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido como Rabicó, que é um dos líderes da facção na região.
Esses perfis não se limitam apenas a exibir armas e ostentação. Há também áudios que teriam sido gravados durante assaltos, com mensagens que mostram a audácia e a impunidade dos envolvidos. A interação dos seguidores, que comentam e fazem referências ao crime, apenas agrava a situação, transformando esses conteúdos em um verdadeiro espetáculo virtual.
A advogada criminalista Carolina Heringer alerta que os responsáveis por essas postagens podem enfrentar sérias consequências legais. Segundo ela, a divulgação de conteúdos que exaltam organizações criminosas ou estimulam práticas ilegais pode resultar em acusações por apologia ao crime ou até mesmo por promover organizações criminosas violentas.
A Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) já identificou 21 perfis na rede social que estão ligados à venda de carros clonados, evidenciando que o crime está se expandindo para o ambiente digital. Um veículo Corolla 2022, por exemplo, foi anunciado por apenas R$ 8,5 mil, muito abaixo do preço de mercado, que ultrapassa os R$ 100 mil.
A Polícia Civil está atenta a essas atividades ilegais e tem intensificado suas investigações. Recentemente, uma operação chamada Sinal Oculto resultou em apreensões de materiais e prisões, mostrando que as autoridades estão dispostas a enfrentar esse desafio. No entanto, a rápida rotatividade das contas e o uso de dados falsos dificultam o trabalho policial.
O TikTok, por sua vez, afirma que remove conteúdos que violam suas diretrizes comunitárias e que não tolera a promoção de crimes. Contudo, a eficácia dessa moderação é questionada diante da visível proliferação de conteúdos criminosos na plataforma.
Enquanto isso, a situação em comunidades como São Gonçalo e outros pontos do Rio de Janeiro continua a preocupar, com jovens sendo atraídos pela glamorização da criminalidade nas redes sociais. Uma reflexão urgente sobre os impactos dessas postagens e a responsabilidade das plataformas digitais se faz necessária.
Crédito da imagem: Lives no TikTok promovem organizações criminosas


