quinta-feira, 05/11/2026

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Condenação de 56 anos traz esperança de recomeço para mulher que sofreu abuso do pai e teve uma filha

Mayara Aline Braga, que sofreu abusos sexuais por parte do pai entre os 12 e 16 anos, finalmente pode respirar aliviada após a condenação do agressor a 56 anos e três meses de prisão.…

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Mayara Aline Braga, que sofreu abusos sexuais por parte do pai entre os 12 e 16 anos, finalmente pode respirar aliviada após a condenação do agressor a 56 anos e três meses de prisão. O desfecho do caso representou para ela um marco de liberdade que esperou por anos. Durante o período de violência, Mayara engravidou e deu à luz uma filha do próprio pai, um fato que agravou ainda mais sua dor.

Em uma entrevista ao g1, Mayara revelou que a sentença superou suas expectativas. “Eu pensei que ele receberia apenas um ou dois anos e logo estaria de volta às ruas”, contou, ressaltando que, ao contrário dela, quem deve temer agora é o pai. “Ele é que está preso, e eu sou a que está livre”, afirmou com firmeza.

A decisão judicial, considerada uma das mais severas em casos de estupro de vulnerável no Rio de Janeiro, foi baseada em provas contundentes, incluindo um exame de DNA que confirmou a paternidade do agressor. O juiz Luis Gustavo Vasques, responsável pelo caso, não apenas impôs a pena severa, mas também determinou que o pai de Mayara não poderia recorrer em liberdade.

Mayara recebeu a notícia da condenação enquanto estava na casa de uma amiga. O nervosismo a impediu de ler a decisão sozinha; foi sua amiga quem leu o resultado. “Eu temia que a pena fosse mínima e que ele pudesse voltar a me ameaçar”, lembrou. A confirmação de que a Justiça reconheceu sua dor trouxe um alívio indescritível para a jovem.

A advogada Mayara Nicolitt, que acompanhou o caso, destacou a importância do exame de DNA como uma prova decisiva e ressaltou os desafios enfrentados por vítimas de violência sexual, especialmente quando o agressor é um familiar. “A desconfiança é uma barreira que enfrentamos constantemente, mas a verdade foi corroborada por evidências”, explicou.

Durante o processo, Mayara precisou encarar o pai em audiência, um momento que a fez reviver o trauma. “Se não fosse o apoio do programa Empoderadas, eu não teria conseguido suportar”, disse, ressaltando a importância da rede de apoio que encontrou durante sua luta por justiça. Apesar da falta de acolhimento por parte de sua família, ela encontrou apoio nas integrantes do programa, que se tornaram uma nova família para ela.

A pena de 56 anos e três meses foi elaborada considerando a gravidade dos crimes, a relação de parentesco e as circunstâncias da gravidez. A advogada Nicolitt argumentou que essa decisão representa um reconhecimento da violência vivida por Mayara, mesmo que não possa apagar seu sofrimento. “É uma resposta da Justiça, que por tanto tempo foi negligente”, afirmou.

Mayara agora se dedica a um novo capítulo de sua vida, sonhando em se tornar palestrante e atuando no ramo da beleza. Ela espera que sua história encoraje outras vítimas a denunciarem e buscarem apoio. “Essa é a oportunidade de recomeçar e mostrar que a Justiça pode, sim, ser feita”, concluiu, enfatizando a necessidade de retomar o trabalho do Programa Empoderadas, que enfrenta dificuldades financeiras e teve seu funcionamento comprometido.