Nos últimos anos, o cenário de violência e perseguição tem ganhado contornos alarmantes no Rio de Janeiro. O crime de stalking, que envolve insistência excessiva e invasões de privacidade, teve um aumento de impressionantes 2.151% nos processos registrados, segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). De 2021 a setembro de 2026, as ações passaram de 337 para 7.584, refletindo uma crescente conscientização sobre o tema e a disposição das vítimas em buscar ajuda.
A juíza Luciana Fiala de Siqueira Carvalho, responsável pelo V Juizado de Violência Doméstica e Familiar, ressalta que o stalking pode ocorrer tanto no mundo físico quanto no digital, sem que seja necessário um vínculo prévio entre agressor e vítima. A repetição das abordagens é o que caracteriza esse tipo de crime, que pode abalar profundamente a vida da pessoa perseguida.
Com a inclusão do stalking no Código Penal, em 2021, o sistema legal passou a reconhecer formalmente as ameaças à liberdade e segurança provocadas por esse comportamento. A magistrada explica que ações como vigiar a vítima por dias ou utilizar tecnologias para monitorar seus passos são exemplos claros de como essa prática pode se manifestar. Casos de vigilância por câmeras escondidas e mensagens invasivas têm se tornado comuns, mostrando que o crime vai além de simples abordagens inconvenientes.
O aumento das medidas protetivas de urgência concedidas também é notável: de 149 em 2021, o número subiu para 3.611 até setembro deste ano. Essas medidas têm o poder de restringir o contato do agressor com a vítima, podendo abranger diversas formas de comunicação, desde telefonemas até interações nas redes sociais.
Para quem se encontra em uma situação de stalking, a orientação é clara: registrar todas as tentativas de contato e procurar as autoridades. Provas como capturas de tela, registros de ligações e relatos de testemunhas são fundamentais para a investigação e para garantir a proteção da vítima.
Além disso, a juíza destaca a importância do acolhimento e apoio psicológico para as mulheres que enfrentam essa situação. A informação é um poderoso aliado, e serviços como a Patrulha Maria da Penha e a Ronda Maria da Penha desempenham papéis cruciais no acompanhamento de mulheres que buscam segurança.
Se você ou alguém que conhece está enfrentando esse tipo de violência, é importante buscar ajuda. O Rio de Janeiro conta com uma rede de serviços prontos para oferecer suporte, desde a Defensoria Pública até centros especializados que garantem a proteção e direitos das mulheres. A conscientização e a denúncia são passos essenciais para combater essa realidade e promover um ambiente mais seguro para todos.
Crédito da imagem: Stalking



