sexta-feira, 30/10/2026

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Agentes de segurança se destacam em eleições após atuação em megaoperação policial

Quase um ano após a polêmica Megaoperação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, a transformação de alguns dos policiais envolvidos em figuras políticas tem causado debates acalorados na sociedade carioca. A…

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Quase um ano após a polêmica Megaoperação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão, a transformação de alguns dos policiais envolvidos em figuras políticas tem causado debates acalorados na sociedade carioca. A ação, que ocorreu em 28 de outubro de 2025 e resultou na morte de 122 pessoas, incluindo 5 policiais, agora reflete diretamente nas urnas, onde três ex-agentes foram eleitos em 2026.

Felipe Curi, ex-secretário da Polícia Civil, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados com 133.626 votos. Marcelo de Menezes, conhecido como Coronel Menezes e ex-secretário da Polícia Militar, obteve 46.700 votos para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Já o delegado Bernardo Leal, que foi gravemente ferido durante a operação, também se destacou ao ser eleito deputado estadual pelo PP, com 57.254 votos.

O impacto da Megaoperação, a mais letal da história brasileira, não se limita apenas ao número de vítimas. A ação trouxe à tona uma discussão sobre a forma como a segurança pública é tratada na política. Alessandro Visacro, analista de segurança, vê a eleição dos policiais como um reflexo da opinião pública e não apenas como uma manobra política. “A operação gerou um debate que avançou em outras áreas, como a Lei Antifacção e a PEC da Segurança Pública”, comentou.

Os ex-secretários defendem que a Megaoperação foi resultado de um trabalho de investigação meticuloso, e não de um impulso eleitoral. Curi destaca que a operação foi planejada por mais de um ano e tinha como objetivo o cumprimento de mandados judiciais. “Perdemos policiais que deram a vida pelo Rio de Janeiro. Não se faz uma operação dessas pensando em eleição”, afirma.

Além das repercussões negativas que a ação gerou, como críticas do Alto Comissariado dos Direitos Humanos da ONU, uma pesquisa da Quaest revelou que 67% da população brasileira aprovou a operação. Esse paradoxo ilustra a complexidade do tema segurança pública no Brasil, onde muitas vezes a violência é vista como necessária em meio ao caos das facções criminosas.

Os novos deputados prometem usar suas experiências nas forças de segurança para promover mudanças significativas na legislação e na abordagem ao combate ao crime. Curi, por exemplo, pretende endurecer as leis contra o crime organizado, enquanto Menezes busca implementar iniciativas que integrem a segurança com a educação nas escolas. Leal, por sua vez, quer focar na defesa de grupos marginalizados, como pessoas com deficiência, e na criação de um plano estadual de segurança que aborde a retomada de territórios dominados pelo tráfico.

Com a segurança pública em jogo, a expectativa é que esses ex-policiais façam valer suas promessas. A população, que vive sob a sombra da violência, observa atentamente como essa nova fase política se desenrolará e se trará as mudanças tão esperadas nas comunidades cariocas.