A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta quarta-feira (4), a Operação Chave Mestra, que visa desarticular uma quadrilha suspeita de fraudes em sistemas bancários por meio de golpes telefônicos. Até o momento, cinco pessoas foram presas em uma ação que se estende por quatro estados: Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e o Distrito Federal.
A investigação começou quando um funcionário de um banco de desenvolvimento relatou que sua linha de celular havia sido desativada de forma repentina em dezembro de 2025. O que ele não sabia é que, naquela mesma manhã, seu número havia sido transferido para um chip controlado pelos criminosos. Com o acesso à linha, o grupo conseguiu receber códigos de verificação e redefinir a senha da conta corporativa da vítima.
Os criminosos exploraram essa vulnerabilidade para acessar e baixar documentos internos do banco, incluindo informações sobre tecnologia e segurança. Eles também tentaram, através de um aplicativo de mensagens, obter privilégios de acesso aos sistemas bancários, mas esses pedidos foram negados pelos funcionários do banco.
O esquema se complicou ainda mais com a descoberta de que um funcionário de uma operadora de telefonia estaria envolvido. Segundo a polícia, ele e um familiar teriam recebido cerca de R$ 44,7 mil em transferências suspeitas via Pix, ligadas ao esquema criminoso. Além disso, a investigação revelou a venda clandestina de serviços para a manipulação de linhas telefônicas e o acesso indevido a sistemas de operadoras.
A análise financeira dos envolvidos mostra movimentações que ultrapassam R$ 3,7 milhões, além de criptoativos avaliados em R$ 5 milhões. O grupo estava organizado em núcleos operacionais e financeiros, com um sistema que permitia a troca frequente de chips para dificultar a identificação.
As investigações seguem em andamento, com o objetivo de identificar e responsabilizar todos os envolvidos neste esquema que tem como alvo instituições financeiras. A Operação Chave Mestra é um alerta sobre a fragilidade da segurança digital e a necessidade de redobrar a vigilância contra fraudes cada vez mais sofisticadas.


