Pacientes amputados que buscam reabilitação em centros públicos do Rio de Janeiro estão enfrentando sérios desafios na obtenção de próteses. Muitos deles, como Rodrigo Pereira, Leandro Lúcio de Souza Pinho e Marco Antônio Lima, atendidos no Centro Municipal de Reabilitação Oscar Clark, no Maracanã, já aguardam há quase dois anos por esses dispositivos que são fundamentais para recuperar a autonomia em suas vidas diárias.
Leandro, que perdeu a perna esquerda após uma trombose, expressa sua frustração: “Desde o dia 24 de novembro de 2024 tô eu aqui nessa espera.” Em junho, a situação de Rodrigo e outros pacientes já havia sido destacada em reportagens, onde foi informado que a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) havia rompido um contrato com a Prefeitura para a produção das próteses, mas, posteriormente, o acordo foi reconsiderado.
Com a falta de solução, a Secretaria Municipal de Saúde decidiu abrir uma nova licitação para adquirir os equipamentos. Apesar disso, os pacientes continuam sem previsões concretas de recebimento. Rodrigo reforça a urgência da situação: “A gente não quer somente informação, a gente quer mais do que isso, a gente quer a nossa independência, que são as próteses.”
Além de lidar com a espera, os pacientes se uniram em um grupo de apoio que já conta com cerca de 50 membros, todos enfrentando a mesma frustração. Marco Antônio, que teve que amputar a perna em 2023 devido a complicações de saúde, relata o impacto emocional da situação: “É frustrante porque eu sempre trabalhei e não estou podendo fazer isso agora.” Sua esposa, Jaqueline, também enfrenta dificuldades, ajudando-o a se locomover e adaptando-se a uma nova rotina, que inclui longas viagens de transporte público para as consultas.
O problema não afeta apenas aqueles que aguardam a primeira prótese. Feliciano Gonçalves, atendido no Centro de Reabilitação Newton Bethlem, está há mais de um ano na fila por uma prótese transfemoral, ressaltando que “quanto mais tempo demora, mais complicado fica nossa reabilitação.” Para muitos, como Marco, a entrega do equipamento é sinônimo de retomar a dignidade e a possibilidade de voltar ao trabalho. “Não tô pedindo muito, tô pedindo uma coisa que a gente tem direito”, afirma.
A ABBR, por sua vez, informou que está aguardando a assinatura da Secretaria Municipal de Saúde para um novo contrato que possibilitará a confecção das próteses, mas até lá, os pacientes seguem na incerteza e na luta por um direito básico: a possibilidade de se reabilitar e viver com dignidade.


