A polícia do Rio de Janeiro identificou a mulher flagrada fazendo uma saudação nazista após votar em Botafogo. Erica Marques Pinho, de 46 anos, é professora de inglês e deve comparecer à 10ª DP ainda hoje, para prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.
Segundo seu advogado, Marcello Ramalho, o gesto teria sido uma resposta irônica às acusações de nazismo e racismo que ela teria recebido por estar vestindo uma camisa do candidato Flávio Bolsonaro e um boné com a frase “Make America Great Again”, famoso slogan da campanha de Donald Trump. “Ela se sentiu atacada e, ao levantar o braço, queria debater a situação, sem intenção de ofender”, argumentou.
Durante seu depoimento, Erica pretende se desculpar com a comunidade judaica, ressaltando que seus comentários durante a discussão com um eleitor judeu foram ditos “no calor do momento” e que ela possui grande respeito por essa comunidade. O incidente foi registrado como injúria por preconceito e está gerando uma série de investigações e depoimentos.
O eleitor que gravou a cena, Ian Andrade, relatou que ficou enojado ao presenciar o gesto. “Nunca vivenciei isso na minha vida como judeu”, declarou. Ian estava no local para um almoço de aniversário e decidiu filmar a mulher após ser informado por uma amiga que ela já havia feito a saudação na entrada da escola.
A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj) se manifestou, condenando o ato como inaceitável e uma afronta aos valores democráticos. Em nota, a entidade destacou que o episódio, ocorrido durante o ato de votação, fere a dignidade humana e a memória das vítimas do nazismo, e afirmou que acompanha a investigação, cobrando providências das autoridades.
O gesto de saudação nazista é um símbolo de um dos períodos mais sombrios da história, marcado pelo Holocausto e pela perseguição de milhões de pessoas. A repercussão desse caso em um ato democrático como a votação levanta questões importantes sobre intolerância e respeito nas relações sociais.


