Na manhã desta quinta-feira, 15, a Polícia Federal deu um duro golpe em Belford Roxo, ao prender o ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil), um dos políticos mais influentes da região, e o ex-chefe da Polícia Civil, Marcus Amim. Ambos são acusados de integrarem uma complexa organização criminosa que teria utilizado postos de combustíveis para lavar dinheiro. Essa operação é um desdobramento da já conhecida Operação Unha e Carne, que investiga práticas ilícitas no estado.
As investigações revelaram que Canella não apenas atuava como um elo político entre empresários e agentes públicos, mas também exercia influência em nomeações para cargos estratégicos na administração municipal. Os investigadores apontam que ele era o “patrono político” do esquema, que, segundo a Polícia Federal, se entrelaçava com milícias e o Comando Vermelho, além de envolver contratos com a Prefeitura de Belford Roxo.
A defesa de Canella optou por não se manifestar até ter acesso completo aos autos do processo. Já as prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e além de Canella e Amim, quatro inspetores da Polícia Civil também foram detidos.
O cerne da acusação contra Canella envolve anotações apreendidas que detalham repasses financeiros significativos a pessoas identificadas como “Canela” e “Amigo”, que, conforme a PF, correspondem a ele e a Marcus Amim. Os investigadores descobriram que Canella recebeu quantias que totalizaram mais de R$ 139 mil, sem justificativa clara, o que levanta sérias suspeitas sobre a origem dos recursos.
Um aspecto alarmante da investigação envolve uma suposta manobra de Canella para favorecer Amim na ascensão a posições-chave dentro da segurança pública do estado. As evidências sugerem que Canella patrocinou a nomeação de Amim para cargos de alto escalão, além de articular mudanças legislativas que facilitaram essa ascensão, conferindo ao grupo uma proteção institucional.
Além disso, a PF detectou uma movimentação financeira que chega a R$ 2,59 milhões nas contas de Canella, com uma parte considerável proveniente de uma empresa da qual ele é sócio. Para os investigadores, isso constitui um forte indício de que o ex-prefeito estava envolvido em atividades destinadas a ocultar a verdadeira origem de seu patrimônio.
As ligações com o crime organizado são igualmente preocupantes. A investigação mencionou diálogos que indicam acordos entre membros da Polícia e chefes do Comando Vermelho, além de vínculos com milícias locais, que reforçam a ideia de que Canella mantinha uma estrutura de poder que favorecia tanto sua administração quanto os interesses criminosos na região.
Este caso, que traz à tona a tensão entre política e criminalidade no estado, certamente terá desdobramentos que vão além das prisões. A população de Belford Roxo e do entorno aguarda ansiosamente por mais esclarecimentos sobre a extensão da corrupção e a segurança pública na região.