No último dia 28 de outubro, a megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão completou um ano, mas as promessas de mudança parecem ter ficado apenas no papel. A operação, que visava prender membros do Comando Vermelho, resultou em 122 mortes, sendo 117 de civis e 5 de policiais, mas a repercussão entre os moradores da região é de frustração e desilusão.
Um relatório da Human Rights Watch revelou que nenhuma das mortes de civis foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais, um dado que também foi corroborado pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com a ONG, apenas 23% dos mais de 2,5 mil policiais que participaram da operação estavam utilizando esses equipamentos, e em 36% dos momentos em que houve disparos, as câmeras estavam obstruídas.
A análise incluiu a revisão de cerca de 4,4 mil horas de gravações, além de testemunhos de 41 pessoas, entre familiares de vítimas e autoridades. O relatório destaca não apenas a falta de registros, mas também possíveis obstruções e manipulações das imagens durante a operação, levantando sérias questões sobre a conduta das forças de segurança.
Um ano após a operação, os moradores da Penha afirmam que a realidade na comunidade permanece a mesma, marcada pela presença do tráfico e por uma forte sensação de descaso. Muitos relatam que, ao invés de melhorias, a operação trouxe estigmas, fazendo com que a população local fosse vista como suspeita. “Fizeram esse alvoroço todo pra depois, no outro dia, tá a mesma coisa”, desabafou um morador, refletindo a frustração coletiva.
Além disso, a falta de iniciativas do poder público para promover melhorias nas condições de vida, especialmente na área da educação, tem gerado um sentimento de abandono entre os residentes. A megaoperação, que não conseguiu capturar o principal alvo, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, deixou um rastro de incertezas e uma comunidade ainda lutando para se reerguer.


