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Diário de Nova Iguaçu

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Canella promoveu alteração na legislação para nomear Amim à frente da Polícia Civil, revela PF

Uma reviravolta nas investigações sobre corrupção no estado do Rio de Janeiro trouxe à tona o nome de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual, que está no centro da Operação Unha…

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Uma reviravolta nas investigações sobre corrupção no estado do Rio de Janeiro trouxe à tona o nome de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual, que está no centro da Operação Unha e Carne. A Polícia Federal (PF) revelou que Canella articulou mudanças na legislação para facilitar a nomeação do delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes ao comando da Polícia Civil. Ambos foram presos nesta quinta-feira (15) sob a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em meio a uma investigação sobre um esquema criminoso que utilizava uma rede de postos de combustíveis para lavagem de dinheiro.

De acordo com os investigadores, Canella teve papel fundamental na indicação de Amim não apenas para a presidência do Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ), mas também para a Secretaria Estadual de Polícia Civil. Para permitir essa última nomeação, ele teria atuado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para flexibilizar os requisitos de tempo de serviço exigidos, permitindo assim que Amim assumisse o cargo mesmo não cumprindo a legislação anterior.

A mudança na Lei Orgânica da Polícia Civil em 2023, que possibilitou essa nomeação, é um dos focos da investigação. Na época, Amim contava com 21 anos de serviço na Polícia Civil, mas apenas 12 anos como delegado, um detalhe que complicava sua elegibilidade. Com a nova legislação, o tempo de serviço total passou a ser considerado, abrindo caminho para sua nomeação.

A PF destaca que as manobras de Canella foram parte de um esquema mais amplo, onde ele atuava como “patrono político” de uma organização criminosa que movimentava bilhões de reais. As defesas de Canella e Amim, até o momento, optaram por não se manifestar, aguardando acesso aos autos da investigação.

Além das manobras legislativas, a investigação também aponta que a ocupação de cargos estratégicos por Canella e Amim servia para proteger as atividades ilícitas da organização criminosa. A PF detalhou que enquanto operadores econômicos cuidavam da rede de postos de combustíveis, a influência política de Canella e Amim facilitava a manutenção do negócio, evitando fiscalizações e investigações.

A Operação Unha e Carne já se consolidou como uma das maiores investigações sobre corrupção no estado, com um total estimado de R$ 7,6 bilhões movimentados entre 2020 e 2026. Nesta oitava fase da operação, além das prisões de Canella e Amim, quatro policiais civis também foram detidos, e diversas empresas ligadas ao setor de combustíveis tiveram suas atividades suspensas, enquanto a Justiça determinou o sequestro de bens e valores relacionados ao esquema.

Os crimes atribuídos aos envolvidos incluem organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, entre outros. A população fluminense agora observa atentamente o desenrolar dos fatos, que abalam a confiança nas instituições públicas e revelam a complexidade das relações de poder na política local.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Pexels (pixabay)