O estado do Rio de Janeiro enfrenta um desafio alarmante quando se trata da renovação de seu corpo docente. Nos últimos dez anos, a quantidade de professores com até 24 anos atuando no ensino médio caiu impressionantes 55,7%, enquanto o número de docentes com 60 anos ou mais mais que dobrou. Esses dados, coletados pela Escola Suíço-Brasileira do Rio de Janeiro a partir do Censo Escolar do Inep, evidenciam um quadro preocupante: a juventude se afastando da profissão e uma crescente maioria de professores se aproximando da aposentadoria.
Atualmente, para cada jovem professor no ensino médio fluminense, há 19 docentes mais velhos, o que representa uma proporção alarmante de 12,2% de profissionais nessa faixa etária. Essa realidade se torna ainda mais evidente em um dia como o Dia dos Professores, que se aproxima, onde histórias inspiradoras de veteranos e jovens docentes podem nos ajudar a entender os desafios da profissão.
Um exemplo notável é a professora Peter Cohen, de 73 anos, que leciona arte em Nova Iguaçu. Com uma carreira dedicada à educação, ela se esforça para mostrar aos alunos que existem múltiplos caminhos a serem trilhados. “Ensinar a sonhar. Abrir caminhos para que eles saibam que o lugar deles é onde eles quiserem estar”, afirma Peter, que já viu seus alunos se destacarem, como Harley dos Santos, de 16 anos, que foi finalista de um concurso de artes na Espanha.
Por outro lado, José Mário dos Santos Trindade, um jovem professor de matemática, começou sua trajetória na educação aos 23 anos, inspirando-se em sua experiência como estudante. Ele não apenas ensina, mas também se dedica a formar novos professores no Instituto Sarah Kubitschek, em Campo Grande. Para ele, a atração por outras profissões e o avanço tecnológico podem estar afastando os jovens da carreira docente. “Muitos querem ser empreendedores, abrir seus próprios negócios ou atuar nas redes sociais”, observa.
Entre os novos talentos, a estudante Maria Eduarda de Abreu da Silva, de 16 anos, encontrou sua vocação ao se envolver com a formação docente. Ela compartilha que a experiência com professores inspiradores a fez se apaixonar pela profissão. “Eu me tornei, pra mim, muito uma inspiração”, diz a jovem, mostrando que, apesar das dificuldades, a conexão com a docência pode ainda atrair novas gerações.
As histórias de Peter, José Mário e Maria Eduarda são um reflexo da importância da educação e da necessidade urgente de reverter a tendência de envelhecimento do corpo docente no Rio de Janeiro. A esperança é que mais jovens se sintam motivados a seguir esse caminho, contribuindo para a construção de um futuro mais promissor para a educação no estado.